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Bíblia não é de direita nem de esquerda, explica sociólogo cristão

Estudioso acredita que esses rótulos estão em desarmonia com a cosmovisão bíblica
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por Jarbas Aragão
Bíblia não é de direita nem de esquerda, explica sociólogo


Thadeu de Jesus e Silva Filho, antropólogo e doutor em sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), é diretor do departamento de Arquivo, Estatística e Pesquisa da Sede Sul-americana Adventista.

O especialista, fez recentemente uma análise do crescente embate “direita X esquerda”, que ocorre em boa parte do mundo, explicando que nenhuma desses rótulos poderia ser atribuído aos preceitos bíblicos.

Ele lembra que a formulação desses conceitos se iniciou na França, no final do século 18, quando o país vivia o momento conhecido como Revolução Francesa.
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“Tão logo foi instaurada a assembleia constituinte de 1789, os favoráveis à manutenção do poder do rei sentaram do lado direito do presidente para não se misturarem aos adeptos à revolução, fazendo com que o lado esquerdo do parlamento passasse a ser o lugar da causa dos menos favorecidos e que precisam quase que completamente do atendimento do Estado, e o direito, o de manutenção da situação de elitismo”, aponta.

Ao longo do tempo, essas ideias foram mudando, mas chega-se ao século 21 com o uso desses termos gerando grande controvérsia, em especial no Brasil, que vem de um governo de 13 anos de grupos socialistas/comunistas que se autodenominam “de esquerda”.

Em contrapartida, crescem os movimentos que se opõem e se intitulam “de direita”, embora o país ainda não tenha nenhum partido político que possa ser encaixado nessa concepção.

Curiosamente, há representantes de ambos os espectros políticos que fazem alusões à Bíblia e à figura de Jesus para justificar sua ideologia. O doutor Thadeu discorda do uso do nome de Jesus para justificar plataformas políticas, asseverando que “A religião de Cristo é de natureza sobrenatural e qualitativamente superior às criações humanas”.

Em sua análise “Se a fragilidade das esquerdas consiste em afirmar que os problemas são causados por algo fora do ser humano (as estruturas injustas da sociedade), e que a eliminação de tais estruturas injustas faria desaparecer tais problemas, a da direita é construir seu edifício sobre algo dentro do homem, a saber, o egoísmo natural – entendido como algo virtuoso e a fonte das realizações”.

O sociólogo acredita ser importante deixar claro que “quando uma ideologia apresenta elementos semelhantes ao de Cristo, evidentemente se estabelecem pontos comuns… O de proteção aos pobres expresso pelas esquerdas é um deles”.

Contudo, é preciso ser cuidadoso, por que “observado com mais atenção, revelará que ele não é o núcleo da ideologia das esquerdas nem tem a ver com a religião de Cristo, por ser uma plataforma de ação política, ou seja, algo que opera segundo a lógica do poder e que está longe do amor desinteressado, como é o de Jesus”.

Por outro lado, assevera, “Há vertentes teóricas que advogam que as ideologias de direita são a transcrição política do cristianismo ou as que mais se aproximam dele por defenderem valores como a família, por exemplo. Isso me parece ser um erro conceitual (pelo fato de estas serem marcas do conservadorismo, não da direita)”.

No cenário atual, aponta o sociólogo, “ainda que alguns cristãos se aproximem da direita, a adesão deles a ela não a torna um estandarte do cristianismo”.

Como faz questão de frisar: “casos concretos e linhas teóricas mostram que não é pertinente associar direita ao cristianismo – como é o caso do populismo de direita na Europa e do pensamento de Ayn Rand (filósofa ateia, que defende que o ser humano deve planejar sua vida para amar e satisfazer somente a si e guiá-la de acordo com sua vontade e razão, longe de qualquer determinação vinda de Deus)”. Mesmo assim, admite, que “a direita conta, de fato, com uma ala cristã”.

Para ele, existe um grande perigo atualmente, que é o cristão se deixar influenciar pelo “marxismo cultural”. Ao invés de receber as ideias comunistas apenas pela política, eles acabam sendo influenciados por questões culturais, que são parte de “uma estratégia de poder que tenta acabar com os valores judaico-cristãos em sociedades neles fundamentadas. É realizada por meio de ocupação de cargos e de espaços de influência, tendo como fundamentos a filosofia de Karl Marx”.

Isso vem ocorrendo com maior clareza nos últimos anos, quando ficou claro que não só os membros de partidos políticos, mas também professores, artistas, jornalistas e veículos de comunicação tentam “realfabetizar as mentes com conteúdo revolucionário nas esferas política, religiosa, jurídica, econômica, científica e artística, a ponto de as pessoas passarem a pensar como marxistas sem necessariamente saberem disso, tomando o marxismo como conhecimento natural e esperado”.

Sendo assim, alerta, os cristãos precisam lembrar continuamente que “ideologias são incapazes de dar a Vida e a Verdade… não é possível servir a dois senhores (Mateus 6:24): é preciso decidir se a Bíblia será a autoridade normativa sobre a vida”.

Finalizou lembrando que a própria Bíblia nos adverte: “Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo” (Colossenses 2:8, Nova Versão Internacional).

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